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segunda-feira, 3 de julho de 2017

O texto dissertativo - argumentativo

As pessoas sentem necessidade de comunicar-se umas com as outras por meio do texto escrito. Para isso utilizam diversas especies de textos, são tantos que, pode-se dizer, são inumeráveis: uma carta, um bilhete, um manual, uma receita, um edital,uma propaganda, um artigo,um ensaio,um diário, uma biografia, uma noticia... São muitas, esta é apenas uma pequena parte dos diversos gêneros textuais que surge na memória. O que é um gênero textual? Gênero textual é um texto que as pessoas criaram para se comunicarem e que possui certas características textuais e extra-textuais próprias. Alguém não escreveria uma receita de bolo em forma de poema. Com certeza também usaria nesta mesma receita uma forma verbal própria para textos cuja função é ensinar a fazer algo: o imperativo. Nesse pequeno exemplo você percebeu que os gêneros textuais são textos construídos socialmente. Algo bastante interessante é que os gêneros, como eles surgem das necessidades das pessoas se comunicarem, podem aparecer e desaparecer, o e-mail é um gênero que se tornou popular há pouco mais de 20 anos, por exemplo. Sabendo o que é gênero, passemos para o tópico seguinte.

Tipos textuais são mais limitados quantitativamente,alguns os classificam entre 5 a 9 tipos textuais. O primeiro que iremos analisar será o texto descritivo:

"Fui também recomendado ao Sanches. Achei-o supinamente antipático: cara extensa, olhos rasos, mortos, de um pardo transparente, lábios úmidos, porejando baba, meiguice viscosa de crápula antigo. Primeiro que fosse do coro dos anjos, no meu conceito era a derradeira das criaturas.
“Lá vem ele. E ganjento, pilantra: roupinha de brim amarelo, vincada a ferro; chapéu tombado de banda, lenço e caneta no bolsinho do jaquetão abotoado; relógio de pulso, pegador de monograma na gravata chumbadinha de vermelho."

Vejamos algumas características linguísticas que marcam um texto descritivo. O marca temporal principal é o presente, o grupo de palavras mais empregado é o adjetivo, são vários. O verbo de ligação não ocorre, mas sabemos que ele foi omitido já que o sua ausência não compromete o sentido do texto. O autor usa um verbo transitivo com função predicativa do objeto (achar). Sua caracterização, o narrador descreve as roupas de Sanches e o uso de diminutivos (roupinha) pode ser usado para pode ser usado para desmerecer o objeto retratado.

O texto narrativo também apresenta algumas características.

Os morangos
A vizinha espiou por cima do muro.
— Bom dia, seu Agenor!
— Bom dia.
— Que lindos estão esses morangos, que maravilha!
(...)
— O senhor não colhe, seu Agenor? Estão no ponto.
— Não gosto de morangos.
— Que pena, aqui em casa somos todos loucos por morangos. As crianças, então, nem se diga. Se não colher, vão apodrecer no pé, uma judiação.
— É.
— Se o senhor não se incomodasse eu colhia um pouco, já que o senhor não gosta de morangos.
— Com licença, preciso pegar o ponto na repartição.
— À vontade, seu Agenor, mas... e os morangos?
— Não prestam para comer, têm gosto de terra.
— Pena, tão lindos!
Saiu para a repartição. Voltou à noite. O luar batia em cheio no canteiro de morangos. Acercou-se em silêncio. Estavam bonitos mesmo. De dar água na boca. Pena que não se pudessem comer. Suspirou fundo.
Mariana, tão linda. Linda como uma flor. Mas tão desleixada, tão preguiçosa. Comida malfeita, roupa por lavar, pratos gordurosos. E aquele gênio! Sempre descontente, exigindo tudo o que não lhe podia dar, espezinhando-o diariamente pelo seu magro ordenado.
Fora realmente uma gentil ideia plantar os morangos depois que a enterrara no jardim.
(Giselda Laporta Nicolelis).”

A primeira coisa que percebemos é a presença de diálogos, marcados no texto pelo travessão. Os verbos são apresentados principalmente no tempo passado. Há personagens e entre eles surgem uma questão ou um ponto de controvérsia, que precisará ser resolvido. Há um narrador que conta as ações cronologicamente. A narração, principalmente ao final dos dois últimos parágrafos, são são apresentados no discurso indireto livre, pois narrador e personagens se confundem.

Analisemos o texto expositivo:

De um modo geral, a mensagem da televisão – assim como a do rádio – visa a uma universalidade (atingir todo e qualquer receptor indistintamente) que, mal compreendida, pode levar o veículo a uma relação falsa com o grupo social. A tv é levada a tratar como homogêneos fenômenos característicos de apenas alguns setores da sociedade. A busca de um suposto denominador comum, que renda o máximo de aceitação por parte do público, preside à elaboração da mensagem. O êxito de um programa é aferido pelo índice de audiência: quanto maior o público, maior o sucesso.

O texto expositivo é a explicação ou exposição sobre um tema feita por um especialista. É direcionado a um público que deseja saber ou quer adquirir conhecimento sobre alguma área do conhecimento humano. Os temas são os mais variados possíveis. Para esclarecer um assunto, o texto expositivo pode utilizar características de outros tipos textuais como a descrição e a narração. Geralmente, o tema é aportado em uma sequencia didaticamente exposta, do mais simples ao mais complexo.

O texto dissertativo-argumentativo utilizará os mesmo recursos presentes no texto expositivo para fundamentar o ponto de vista do autor. Um texto dissertativo-argumentativo surgiu da necessidade de se discutir os problemas e conflitos que ocorrem na sociedade e apontar uma solução. Durante a vida escolar é o momento indicado para que os jovens possam expressar sua opinião e também prepará-los para a vida acadêmica.

Para que o nosso texto dissertativo-argumentativo possa convencer nossos leitores, é necessário que o autor atenha-se a algumas dicas. O conhecimento do assunto é essencial. Somente conseguimos convencer alguém se soubermos sobre o que falamos. Nosso conhecimento deve ir além do senso comum. Ele deve estar fundamentado sobre pesquisas, reportagens, livros, revistas etc. Outra dica que deve ser observada é saber utilizar os vocábulos da língua adequadamente. Uma palavra pode expressar ideias diferentes conforme o contexto em que elas ocorrem, por esse motivo, o uso das palavras deve ser bem analisado para não induzir o leitor a erros. O conhecimento da língua, ou seja, as regras que a regem também devem ser consideradas pelo leitor. Finalmente a adequação a proposta: não fugir do tema e saber o que é um texto dissertativo-argumentativo.

Pode ocorrer de nosso leitor não conseguir entender aquilo que queremos comunicar. Isso ocorre porque existe algum tipo de ruído na comunicação. Talvez ocorra um desnível intelectual entre o escritor e o leitor. Caso seja da parte do autor, ele precisa ser o mais didático possível. O leitor não é obrigado a saber o que o autor sabe.

As partes da redação é composta pelo título, a introdução, uma tese, o desenvolvimento e a conclusão. O título, dependendo da organizadora do concurso público ou da prova vestibular poderá não ser obrigatório. A introdução, pode-se dizer, é a parte mais difícil da redação porque é o momento quem que tornamos nossa abstração em algo concreto. Começar uma introdução não é fácil; a busca pela primeira palavra é o momento mais longo durante a construção de um texto. Não comece o seu texto por expressões como "atualmente", "nos dias de hoje" etc. Todas elas são desnecessárias. Comece-a por uma exemplificação, identificando um problema, por uma narrativa histórica que tenha relação com o tema, por uma problematização etc.  A tese poderá ser expressa claramente, na forma de uma proposição, ou diluída pela redação. Uma tese explícita não é comum na imensa maioria das redações, por esse motivo é uma preciosidade encontrá-la. O desenvolvimento pode ser construído por meio dos diversos tipos de argumentação. O autor somente não pode deixar de expressar sua opinião para que o texto seja o mais autoral possível. Algumas redações solicitam uma proposta de intervenção, outras somente uma conclusão tradicional. Caso em sua redação seja solicitada uma proposta de intervenção, procure desenvolvê-la o máximo possível, explicando como aplicá-la, quem irá executá-la, quais os objetivos, o passo a passo para desenvolvê-la etc. Enfim, procure detalhar a proposta de intervenção.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Gêneros textuais não literários

Com o propósito de facilitar a vida do candidato a uma vaga universitária por meio do Enem, vou apresentar alguns gêneros textuais não literários para que ele, durante a prova, não cometa o equívoco de utilizar um tipo textual no lugar de outro durante a prova de redação. 

A princípio devemos diferenciar um texto literário de um texto não literário. A literatura é a expressão da realidade, o modo como o autor literário enxerga o mundo e a sociedade que o cerca. 
Um texto literário  é subjetivo e conotativo. O autor atribui sentidos diversos às palavras e deseja que o leitor as interprete. Chamamos a conotação de linguagem figurada e plurissignificada. Veja como Chico Buarque atribui diversas significações a palavra cálice.

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado

Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo

De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado

Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça

Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

A palavra denotativamente refere-se ao objeto em que o vinho é posto. Intertextualmente, a palavra leva o leitor até o texto bíblico que está em Lucas 22:42 onde relata a agonia de Jesus ao saber que seu destino já estava traçado. Conotativamente, a palavra pode ser interpretada como o imperativo do verbo calar: cale-se! Contextualmente o cale-se, ao período em que os autores consideram os anos de 1964 a 1985, o período militar, como anos de exceção e de restrição ao pensamento e às palavras.  
Por outro lado o texto não literário  deve ser objetivo e denotativo. A palavra denotativa expressa aquilo que é e não precisa ser interpretada a semelhança da conotação, porque o texto não literário irá tentar esclarecer o leitor sobre alguma coisa.

Os gêneros não literários também podem ser classificados conforme sua função social, quer dizer que eles serão classificados conforme o uso que as pessoas fazem dele. Para que serve uma carta, uma entrevista, uma bula, um texto escolar etc.

Comecemos pelos narrativos. A notícia procura narrar um fato que foge do comum, aquilo que as pessoas querem ou tem o desejo de saber, o que atrai e afeta a vida das pessoas ou o que as pessoas gostariam de contar. É a comunicação de um fato novo e que desperta o interesse do público. É um texto narrativo composto de duas partes: lead (que contém a parte mais importante e deve responder às seis perguntas: quem, onde, quando, o quê, como, por quê?) e corpo (o detalhamento da lead que pode ser escrito cronologicamente ou em ordem de importância. O título deve ser objetivo e chamar a atenção do leitor. A linguagem deve ser impessoal, clara, precisa, objetiva, direta e usar a norma padrão. Abaixo temos um exemplo de lide


Ministro estuda anistia a multas
O ministro José Carlos Dias (Justiça) defendeu ontem uma revisão geral do Código de Trânsito Brasileiro, que entrou em vigor há 19 meses. Ele não descartou uma anistia para os motoristas que estão com sua carteira suspensa por terem atingindo 20 pontos - o Governo já anunciou que enviará ao Congresso projeto que eleva essa margem para 30 pontos.
O ministro admitiu ainda a hipótese de reduzir o valor das multas previstas no código. Segundo Dias, o custo elevado das infrações serve como "incentivo para que o policial peça dinheiro para não multar".

José Roberto Dias, diretor do Denatran na época da implantação do código, disse que a proposta "demonstra falta de sensibilidade social". (pág. 1 e 3-1)

Relato pessoal também é uma narrativa em que alguém conta um episódio importante de sua vida. o leitor encontrará nesse gênero textual  personagens, enredos, tempo e lugar. As seis perguntas básicas deverão estar presentes: quem, onde, quando, o quê, como, por quê? O narrador,por ser um relato pessoal, geralmente será o protagonista. O relato deverá ser verídico, ou seja, verdadeiro. Verbos e pronomes em 1° pessoa e o tempo será provavelmente o pretérito. É um relato subjetivo, pois as reflexões são feitas conforme a visão do narrador. Poderá haver diálogos e descrição.

Criança não gosta de mudar de casa. Assim, com o meu coração apertado recebi a notícia de que íamos para Brasília. Eu nunca tinha ouvido falar nessa cidade, Brasília, jamais tinha escutado esse nome, e fiquei sabendo que a cidade ainda nem existia.

Entrevista é um texto do genero expositivo se for a entrevista de um especialista. Pode ser realizada pessoalmente ou à distância. O repórter deve possuir dados sobre o entrevistado e uma pauta sobre as perguntas que serão realizadas. As perguntas podem ser pré-acordadas entre as partes. Por convenção, o nome por extenso aparece somente nas primeiras falas e após, somente o primeiro nome ou abreviação


Entrevistador:  Muitos dizem que o gosto dos jovens pela leitura é um desafio.
Chartier: Certamente. Mas é papel da escola incentivar a relação dos alunos com um patrimônio cultural cujos textos servem de base para pensar a relação consigo mesmo, com os outros e o mundo. É preciso tirar proveito das novas possibilidades do mundo eletrônico e ao mesmo tempo entender a lógica de outro tipo de produção escrita que traz ao leitor instrumentos para pensar e viver melhor.


O escritor do texto descritivo diz como algo é. A classe gramatical mais usada é o adjetivo por sua função caracterizadora. Em relação aos tempos verbais, o presente será o mais usado, porque no texto não existirá a noção de anterioridade ou posteridade. Ainda sobre o verbo, ele será de ligação. A descrição pode variar conforme o ponto de vista do autor, logo os traços físicos de um ser, um objeto ou um lugar; os traços morais, emocionais, espirituais de um ser poderão variar conforme o autor se colocar diante do objeto. O texto descritivo poderá ser objetivo ou subjetivo. Uma descrição técnica ou científíca será objetiva, exata e dimensional, já uma descrição subjetiva irá privilegiar o estado de espírito, as preferências e juízos de valor do autor.

Farás uma arca de madeira de acácia com dois côvados e meio de comprimento, um côvado e meio de largura e um côvado e meio de altura.11 Tu a cobrirás de ouro por dentro e por fora, e farás sobre ela uma moldura de ouro ao redor.Fundirás para ela quatro argolas de ouro que porás nos quatro cantos da arca....” (Êxodo 21,10-12) Bíblia de Jerusalém

Um texto injuntivo explica como o leitor deve realizar algo. As bulas, as receitas e os manuais são textos característicos desse gênero textual. Linguisticamente, os verbos no imperativo serão sua principal características.

01 – Tenha em mente a estrutura textual
02 – Informe-se
03 – Elabore um título pertinente
04 – Posicione-se e não generalize a sua opinião
05 – Seja coerente
06 – Fique atento quanto à gramática
07 – Revise o seu texto

Quando o leitor quer se instruir ele provavelmente irá pesquisar um dicionário, um livro didático, um texto escrito por algum especialista de uma área do conhecimento. Todos esses textos podem ser classificados como textos do gênero expositivo que é aquele que ensina alguém sobre algo. A função do gênero expositivo é transmitir o conhecimento humano. Esse gênero é muito importante porque ele que irá dar suporte para as argumentações do texto dissertativo


O texto expositivo apresenta informações sobre um objeto ou fato específico, sua descrição e a enumeração de suas características. Esse deve permitir que o leitor identifique, claramente, o tema central do texto.

O texto dissertativo, por meio dos argumentos que o leitor buscou em algum texto pertencente no gênero expositivo, tentará convencer o leitor. O texto deverá ser objetivo e denotativo. Nesse gênero, o autor analisa e interpreta os fatos baseados em dados científicos ou lógicos que dará suporte para os argumentos.

Algumas nações estão admitindo o critério biopsicológico para os casos de crimes violentos praticados por jovens, abrangendo uma faixa etária intermediária, por exemplo, de 14 a 18 anos ou de 12 a 18 anos. Neste espectro se faz uma avaliação para saber se esse jovem pode ou não responder por sua conduta, desde que entenda o caráter criminoso do seu comportamento. Diante dessa tendência mundial, o sistema etário da legislação brasileira precisaria ser debatido ,com equilíbrio e cautela, assim como a possível adoção do critério biopsicológico.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Curso de Redação - Parte Final - Tipos de Argumentação

Pragmático: é a relação de causa e efeito entre acontecimentos: "os fins justificam os meios."

Desperdício: consiste em convencer alguém que depois de começado alguma coisa, não vale a pena abandoná-la: "nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo é tentar mais uma vez."

Exemplo: imitar ou não as ações de alguém: "Porque convertia o Batista tantos pecadores? Porque assim como suas palavras pregavam aos ouvidos, o seu exemplo pregava aos olhos."

Modelo e anti-modelo: é uma variação do exemplo. Os sensatos são um exemplos de modelo, os loucos, de anti-modelo: "os sensatos têm mais que aprender com os loucos do que os loucos como sos sensatos."

Analogia: É uma relação entre fatos distintos: não deis aos cães as coisas santas, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem.

Compatibilidade e incompatibilidade: argumento que procura provar se um fato é compatível ou não com a tese: "é evidente que é o fim da picada um ex-presidente se encontrar com um presidente da Câmara para tratar de um assunto que, inequivocamente, diz respeito ao governo."

Regra de Justiça: o autor argumenta que é necessário dispensar o tratamento idêntico aos seres e situações de uma mesma categoria: "Sim sua compaixão se derrama como mel sobre qualquer um que caia nas malhas da lei, contanto que não seja um corrupto de direita,para os quais não há perdão. Se for de esquerda vira, imediatamente, um injustiçado herói do povo brasileiro, vítima dos "facínoras e canalhas" da Lava Jato.

Retorção: o próprio argumento do opositor é utilizado como  réplica, exemplo, no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) obriga-se que todo veículo tenha cinto de três pontas e apoiadores de cabeça (inclusive os carros mais antigos), mas no mesmo CTB, um artigo que se proíbe fazer alterações no carro.

Ridículo: consiste em ridicularizar o argumento do opositor: "São Paulo quase some sob às águas de março e os culpados são de novo as vitimas. Se não fosse o tal povo sujar as ruas, os bueiros não teriam ficado entupidos e não teria, em consequência, havido alagamentos."

Definições Etimológicas: é um tipo de argumentação em que o autor utiliza a origem das palavras para convencer o leitor: "Convencer é vencer junto com o outro, não há perdedores, afinal convencer é formado pela preposição com + vencer. Se fosse para haver um perdedor seria contravencer."

Definições normativas: para que esse tipo de argumentação tenha efeito, é necessário que exista um acordo pré-estabelecido. Um arquiteto ao combinar um serviço com o cliente deve combinar entre eles que uma janela serve para contemplar a paisagem. Esse tipo de argumentação é muito utilizado entre prestadores de serviços e clientes.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Curso de Redação - Parte 7 - Esquema, Rascunho e Versão Definitiva de uma Redação

ESQUEMA DA REDAÇÃO.
O esquema é um esqueleto e pode ser usado antes de escrever o rascunho. Sugerimos que a redação dever ser construída em três passos: o primeiro é a construção do “desenho” da redação, o segundo o rascunho e finalmente, a versão definitiva da redação. Provavelmente iremos retomar algumas considerações de postagens anteriores. O organograma irá ajudar o aluno a “visualizar o desenho” de uma redação a fim de preparar o rascunho de seu texto.

Título
Texto -------------------------------------I
Introdução
Tese:--------------------------------------I
1ºargumento
2ºargumento
3° argumento
4° argumento
I
Conclusão-------------------------------------
                                                                    I
Proposta de intervenção

O título encabeça a esquema, mas não pode reproduzir o tema proposto pela banca e deve ser escrita preferencialmente em letras maiúsculas. Por mais estranho que possa parecer, o título é a última coisa a ser escrita na redação. Em alguns exames, o título não é obrigatório e pode ser considerada na contagem das linhas.

A introdução deve ser resumida no esquema com frases curtas ou palavras indicativas que ajude o candidato a lembrar-se da ideia depois de um tempo. Algumas redações começam por uma narrativa, outras por uma citação e outras por uma pergunta retórica. Não se deve esquecer que a introdução é uma apresentação daquilo que será lido predispondo o leitor. Uma boa redação apresenta uma boa introdução, uma má introdução com toda certeza irá apresentar uma má redação. Muitos autores consideram que o importante de uma redação é a argumentação e que a introdução é apenas floreio, mas esse pensamento é um equivoco.

Responda a pergunta: “o que eu penso sobre esse assunto?” e o leitor terá uma tese. A resposta será uma afirmação ou uma negação.  Destaque bem a tese no esquema escrevendo-a de maneira clara e completa. É muito raro encontrar uma tese claramente definida nos textos dos candidatos a uma vaga em um curso universitário. O candidato jamais deve ficar “em cima do muro” em ruma redação que pede uma tomada de posição favorável ou contra sobre um assunto.

Os argumentos precisam ser claros, firmes e bem destacados. Jamais a tese dever ser apoiada no senso-comum, senão não irá abonar a tese. Uma boa argumentação será baseada em perguntas que o autor irá supor que seu leitor faria se tivesse a oportunidade. Uma redação é um diálogo imaginário que o autor trava com o leitor adiantando prováveis perguntas e refutações que o leitor faria ao autor. Na próxima postagem iremos comentar a respeito dos argumentos.

A conclusão deve ser bastante sucinta retomando, preferencialmente, elementos da introdução, apresentar conclusões das argumentações e acrescentar novas informações. No mesmo parágrafo da conclusão, a proposta de intervenção que é solicitada por alguns exames vestibulares. Essa proposta deve respeitar os direitos humanos e apresentar soluções possíveis de ser realizadas. Muitas propostas de solução (ou intervenção) sugerem soluções somente no âmbito governamental, mas se esquecem de que as propostas também podem abarcar o nível individual e social.

Bibliografia consultada (todas as postagens do curso)

SILVA, Plinio Moreira da. Homilética, a arte de pregar o evangelho: 4° ed. Eleva, 1986.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Curso de Redação - Parte 6 - Dicas para escrever uma boa redação (Os elementos da redação II)

Fazer uma boa redação, como muitas outras coisas da vida, é treino e prática. A medida que escrevemos mais e mais textos, mais vamos desenvolvendo a habilidade de escrever uma boa redação. Iremos retomar algumas coisas ditas na postagem anterior, mas agora como dicas mais práticas.

Falemos um pouco sobre a comunicação e a expressão escrita. Um bom escritor não abre mão de realizar pesquisas a fim de criar argumentos sólidos. O leitor percebe quando uma redação foi desenvolvida a partir da leitura de bons textos ou quando a redação é baseada somente a partir dos achismos do escritor. Siga as  dicas abaixo para fazer uma boa redação.

1. Dê seriedade ao seu texto e demonstre autoridade naquilo que você escreve. Não use frases feitas ou próprias da comunicação coloquial; não faça piadas, não reproduza hinos de times ou receitas culinárias, não copie trechos dos textos motivadores etc.
2. Leia constantemente. Antes de você, outras pessoas já estudaram profundamente os mais diversos tipos de temas, eles são fontes de conhecimento.
3. Faça anotações de suas leituras, mesmo que sejam feitas nas bordas das páginas do seu livro, revista etc.
4. Determine a extensão de sua redação. Geralmente trinta linhas é um número aceitável.
5. Estude gramática. O Enem exige do aluno conhecimento da norma culta e dos mecanismos da língua. Uma frase ambígua como esta: "a professora pediu a aluna que guardasse seus livros" pode ser facilmente esclarecida se o aluno conhecer a gramatica da língua.
6. Dicionários são ótimas ferramentas a disposição do escritor. Existem vários tipos de dicionários dos mais básicos aos mais específicos. 
7. Faça interpretações literárias (contexto interno) e culturais (contexto externo) de suas leituras e de seus textos autorais.
8. Elabore uma tese e crie argumentos que a justifique.

O autor não irá realizar boas redações do dia para a noite, por isso é importante seguir essas dicas que irão preparar o estudante para o dia do exame. Errar durante a aprendizagem é normal e é preferível que isso aconteça durante os estudos do que no dia da prova.

O tema de uma redação não é definido pelo candidato, por esse motivo é importante que o autor esteja preparado lendo os mais diversos tipos de assuntos. O corretor percebe nas primeiras linhas da redação que o escritor não tem assunto para discorrer sobre o tema.

Já o candidato que tem muito assunto pra discutir sobre o tema, precisa definir prontamente qual será sua tese que nada mais é que uma declaração contendo uma proposta de discussão sobre o tema. É interessante o aluno escrever em uma folha a parte qual será sua tese a fim de que não se afaste dela. É muito comum encontrar redações em que o autor no meio do texto contrarie a própria tese que propôs defender. Por outro lado, é muito difícil encontrar uma redação com uma tese bem definida. Portanto, escreva sua tese em uma folha a parte.

Com a tese em mente, o candidato deverá elaborar sua introdução preparando o leitor para a tese na qual irá girar todo seu texto. É na introdução que ele definirá termos e conceitos.

Após a introdução,vem aquela que é a parte mais importante da redação: a argumentação que terá uma postagem totalmente dedicada a ela.

Finalmente temos a conclusão e, como alguns exames exigem, a proposta de intervenção. A conclusão é uma síntese de tudo que foi dito anteriormente. O autor irá resgatar coisas que foram expostas na introdução e na argumentação fechando seu texto. A proposta de intervenção é a sugestão dada pelo autor para que algum problema que incomoda a sociedade seja realizado. Uma proposta de intervenção deve envolver o cidadão como indivíduo, a sociedade como coletividade de vários indivíduos e o Estado, que tem como função organizar essa sociedade por meio das normas de convivência.

E finalmente o escritor deverá criar título que possa traduzir tudo aquilo que ele escreveu no texto a fim de atrair a atenção do leitor. Escrever o título após ter feito a redação é útil, porque o título na verdade é um resumo com poucas palavras de tudo que escrevemos. Bom lembrar que o título não deve ser confundido com o tema, por esse motivo o tema não pode ser o título e o título não é as primeiras palavras do primeiro parágrafo.

Até a próxima postagem. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Curso de Redação - Parte 5 - Os Elementos Básicos da Redação



Toda boa redação deverá conter ao menos quatro elementos básicos:
1. um tema,
2. o ponto de vista, 
3. seus argumentos e, finalmente,
4. e a forma como essas partes acima estarão dispostas no papel.

É sobre esse último elemento que iremos falar daqui em diante, porque ele irá englobar os três anteriores. Quando analisada, percebemos que uma redação pode ser composta de oito partes (ou seja, essas partes (com exceção dos elementos básicos) não são indispensáveis em uma redação. Vejamos cada uma.

O título por exemplo é solicitado em algumas redações, por outro lado, no ENEM ele não é cobrado. O título é um destaque a fim de chamar a atenção do leitor para a leitura. Possui quase um caráter vocativo, como se o autor dissesse ao leitor: "ei leitor, veja que interessante esse meu texto. Venha lê--lo" . Jamais o título deve reproduzir o tema.

O texto é o "tecido" que abarcar tudo aquilo que o autor deseja transmitir ao leitor. Devemos considerar o texto como parte, já que a mesma coisa que escrevemos no papel poderia ser realizada em um discurso falado, portanto, a redação somente existe como materialidade porque existe o texto.

O tema é a principal causadora de dores de cabeça para o autor da redação pois que a fuga do tema causa nota zero para quem dela depende para a entrada no curso universitário. O tema nada mais é que o assunto (ou a síntese desse assunto) do qual se escreve. O tema deve ser limitado pelo escritor. A ecologia é um tema bastante vasto, mas as redações geralmente limitam o assunto, por exemplo, o macro-tema é ecologia, limitado em um micro-tema: a preservação dos mananciais em zonas urbanas. Sair do micro-tema é fuga do tema e gera nota zero: falar da preservação dos rios da bacia amazônica, por exemplo.

A introdução é a apresentação do tema ao leitor que apesar de já saber sobre o que se vai se falar, é necessária. A introdução demonstra se o autor irá desenvolver ou não uma boa redação. Nela se apresenta os conceitos que irão ser desenvolvidos no restante do texto.

A tese nada mais é que uma proposição ou afirmação que deverá ser defendida pelo autor por meios de argumentos.

A argumentação é que um conjunto de fatos, de ideias, de provas agrupados pelo autor  que servem para sustentar sua tese.

A conclusão é a dedução a que o autor chega ao expor todas suas argumentações. É um balanço final de suas conjecturas. Pontos que foram expostos na introdução e no desenvolvimento devem ser retomados na conclusão.

O apelo é o último elemento a ser descrito em nosso texto. O autor convida o leitor a aderir ao seu ponto de vista. Alguns exames chama o apelo de proposta de intervenção que é uma sugestão que o autor expõe a fim de que um problema seja solucionado pela sociedade.

Falamos das partes que compõem uma redação. Elas não necessariamente compõem parágrafos. Duas ou mais partes podem estar contidas em um só parágrafo, como por exemplo a conclusão e o apelo. Geralmente uma redação possui cerca de trinta linhas divididas em três ou quatro parágrafos. Em postagens posteriores detalharemos como compor cada um dessas partes.  

domingo, 4 de dezembro de 2016

Curso de Redação - Parte 4 - Texto e Contexto


O texto é um empréstimo metafórico da ação de se tecer um tecido por meio dos fios. Metaforicamente, podemos imaginar as linhas e as palavras do texto como os fios e o texto com o tecido criado.

Texto em linguagem e comunicação é o conjunto de palavras escritas, uma tendo relação com a outra e criando uma ideia, uma noção, um conceito ou um pensamento que se queira transmitir. Logo um texto deve passar alguma informação. 

Podemos classificar  até mesmo o texto como uma porção de um conjunto textual maior. Uma frase isolada também é considerado um texto, ainda que seja uma porção mínima desse contexto.    

Logo um parágrafo, uma frase ou uma palavra é considerada um texto (uma porção) de seu contexto (o todo). O contexto somente existe a fim de criação e análise textual, logo texto e contexto são inseparáveis. Existem diversos tipos de contextos. O autor de um texto deve levá-lo em conta ao escrever sua redação para que ela seja eficaz.

Um contexto pode ser interno ou externo. Quando o contexto é interno, a parte isolada de um texto terá contextos anteriores ou posteriores conforme sua posição no texto. Até esse momento, esse parágrafo possui apena contextos anteriores, desse parágrafo em diante, contextos posteriores. Contextos externos englobam a produção textual, a história, o psicológico, a sociedade etc. Desse modo, um dos contextos externos que me levou a escrever esse texto é a perspectiva de que alguém esteja interessado em sabem mais sobre como produzir uma boa redação. 

Ao criar sua redação você deve levar em conta os contextos internos (minha frase está suficientemente clara, não estou sendo contraditório, uso argumentações adequadas etc) e também os externos ( estou elaborando uma redação conforme o tipo textual solicitado no enunciado da prova, levo em conta a expectativas do leitor, antecipo informações desse interlocutor ausente etc). 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Curso de Redação - Parte 3 - A redação e a comunicação

A comunicação interpessoal procura transmitir ideias, sentimentos e propósitos. A redação, uma modalidade escrita da comunicação, procura sensibilizar as pessoas a adotarem nosso ponto de vista e realizar aquilo que desejamos.

Sabemos que existem três elementos básicos para que uma comunicação seja criada: o emissor, a mensagem e o receptor. No entanto, esses três elementos não garantem que o mensagem seja compreendida pelo receptor. A incompreensão da mensagem pode ocorrer devido o desnível cultural, não só do receptor, mas também do emissor (provavelmente o desnível cultural do emissor ocorra por falta de conhecimento do tema ou desconhecimento grave da modalidade escrita da língua). Outro tipo de ruído é a especificidade do assunto (ou desconhecimento do tema, novamente). 

Percebe-se que o conhecimento do tema é essencial para escrever uma boa redação, por isso é importante o aluno sempre estar "por dentro" dos últimos acontecimentos, afinal o candidato só saberá o tema sobre o que irá dissertar no momento da prova. 

O leitor é um interlocutor ausente, portanto, o escritor deve adequar o texto ao leitor, antecipando possíveis dúvidas. Por exemplo, o escritor deve definir conceitos e ideias, principalmente quando o escritor remete seu texto para as áreas do conhecimento científico. O leitor não é obrigado a saber tudo, mas é obrigação do escritor esclarecer as aquilo que consta em seu texto.

Gostaria de ter sua redação corrigida? Mande seus textos para o email: cleirebech@gmail.com. A partir de R$ 15,00 você terá 4 redações corrigidas e anotadas. Você poderá escolher seu tema.  

domingo, 27 de novembro de 2016

Curso de redação - parte 2 - Características de uma boa redação

Como dissemos anteriormente, uma redação deve discutir algum problema que aflige a sociedade e propor-lhe uma solução. Deve também levar o leitor a aceitar o ponto de vista de quem a escreve. Mas para fazer essas duas coisas, uma boa redação deve possuir algumas qualidades.

Existem quatro maneiras de levar alguém a agir conforme os nossos desejos, o primeiro é pela força física, o segundo pelo exemplo, a terceira pelos costumes e pelas leis e a quarta pelos argumentos. É justamente esse último que nos interessa.

A força desses argumentos deve estar revestida de alguns pré-requisitos. O primeiro deles é o assunto. Conhecer muito bem o assunto é essencial. A força de um especialista está justamente no conhecimento de um assunto ou tema. Por esse motivo se recomenda que o aluno esteja sempre a par das coisas que acontecem em sua volta. Saber sobre o que se escreve é muito importante. O aluno deve sempre escrever sobre diversos assuntos e, de tempos em tempos, retomar os velhos escritos a fim de verificar se houve ou não alguma evolução em seus escritos.

Saber usar as palavras adequadas também é essencial. As palavras possuem, geralmente, duas faces: uma própria, que chamamos de denotativa, e outra figurada, conotativa. Embora a palavra, quando usada denotativamente, nem sempre ela consegue abarcar suficientemente o sentido real em um contexto específico. Por esse motivo, o uso frequente de um dicionário, principalmente de sinônimos, é tão importante quando se escreve um texto, pois ele permite que os sentidos das palavras  sejam devidamente identificados.

A disposição das palavras dentro das frases também é muito importante. Geralmente colocamos nos primeiros e últimos lugares das orações aqueles conceitos e ideias que consideramos mais importantes. O uso de pronomes, dos relativos e das preposições também deve ser levado em conta para não causar dúvidas nos leitores. Por isso o estudo da gramática é tão importante.

Um texto escrito também deve se adequar a função ao qual se propõe. Assim uma redação deve obedecer a norma culta da língua portuguesa escrita, de modo que certas expressões devem ser evitadas: a gíria, a frases feitas, a linguagem próprias das redes sociais e expressões características da oralidade etc.

Vimos até aqui as características de uma boa redação. Esperamos que essas informações tenham sido uteis ao nosso leitor. Elogios, críticas construtivas, esclarecimentos e dúvidas são bem vindas. 

sábado, 26 de novembro de 2016

Curso de redação - parte 1

A redação é, entre as diversas atividades desenvolvidas nas  escolas, uma das mais espinhosas, não só porque é  odiada e temida pelos alunos, mas também uma carta na manga de muitos profissionais: não tendo conteúdo para oferecer, nada melhor do que solicitar uma redação aos alunos.

A palavra é o melhor meio de comunicação criada pelo ser humano. É ela que nos distingue dos outros reinos animais. No princípio, o ser humano se comunicava por meio de sinais corporais (gestos), depois vieram os sons na comunicação humana (a fala) e finalmente a escrita consolidou por vez a comunicação entre as pessoas.

Podemos dizer que a comunicação é um fenômeno biológico, psiquico e social. Biológico porque necessitamos de um cérebro desenvolvido para a comunicação; psíquico, porque a comunicação evoca coisas concretas e abstratas; e finalmente social, porque reconhecemos indivíduos semelhantes a nós mesmos e necessitamos comunicar-lhes algo que nos é valioso.

A escrita é tão importante que até hoje consideramos as sociedades letradas mais desenvolvidas que sociedades ágrafas. E ainda hoje, podemos dividir a sociedade entre aqueles que conseguem se comunicar pela escrita e aqueles que não conseguem. 

Afinal, para que serve a redação? Em uma sociedade, conflitos surgem e a palavra escrita veio para estabelecer firmemente quais atitudes se esperam de seus membros. Mas isso não quer dizer que as coisas não devam ser debatidas. É justamente aí que se percebe a principal utilidade da redação: é a oportunidade que o aluno tem de expressar sua opinião frente a um dado problema. Além disso, é uma preparação que o aluno faz para que possa expressar seu ponto de vista em um ambiente não tão amistoso como a sala de aula.

Assim a função social da redação é debater de modo estruturado os problemas que afligem a sociedade propondo-lhes sempre que possível uma solução. Pedagogicamente, podemos dividir   a redação, a princípio, em uma introdução, uma narração, argumentos e conclusão.

Terminamos por aqui nossa primeira parte.



Dia Nacional do Futebol - Eduardo gaudêncio

  Dia Nacional do Futebol  Eduardo gaudêncio O Futebol é antes de tudo uma metáfora.  Quando Nelson Rodrigues disse que o Brasil era a Pátri...