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sexta-feira, 17 de março de 2017

Gêneros textuais não literários

Com o propósito de facilitar a vida do candidato a uma vaga universitária por meio do Enem, vou apresentar alguns gêneros textuais não literários para que ele, durante a prova, não cometa o equívoco de utilizar um tipo textual no lugar de outro durante a prova de redação. 

A princípio devemos diferenciar um texto literário de um texto não literário. A literatura é a expressão da realidade, o modo como o autor literário enxerga o mundo e a sociedade que o cerca. 
Um texto literário  é subjetivo e conotativo. O autor atribui sentidos diversos às palavras e deseja que o leitor as interprete. Chamamos a conotação de linguagem figurada e plurissignificada. Veja como Chico Buarque atribui diversas significações a palavra cálice.

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado

Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo

De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado

Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça

Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

A palavra denotativamente refere-se ao objeto em que o vinho é posto. Intertextualmente, a palavra leva o leitor até o texto bíblico que está em Lucas 22:42 onde relata a agonia de Jesus ao saber que seu destino já estava traçado. Conotativamente, a palavra pode ser interpretada como o imperativo do verbo calar: cale-se! Contextualmente o cale-se, ao período em que os autores consideram os anos de 1964 a 1985, o período militar, como anos de exceção e de restrição ao pensamento e às palavras.  
Por outro lado o texto não literário  deve ser objetivo e denotativo. A palavra denotativa expressa aquilo que é e não precisa ser interpretada a semelhança da conotação, porque o texto não literário irá tentar esclarecer o leitor sobre alguma coisa.

Os gêneros não literários também podem ser classificados conforme sua função social, quer dizer que eles serão classificados conforme o uso que as pessoas fazem dele. Para que serve uma carta, uma entrevista, uma bula, um texto escolar etc.

Comecemos pelos narrativos. A notícia procura narrar um fato que foge do comum, aquilo que as pessoas querem ou tem o desejo de saber, o que atrai e afeta a vida das pessoas ou o que as pessoas gostariam de contar. É a comunicação de um fato novo e que desperta o interesse do público. É um texto narrativo composto de duas partes: lead (que contém a parte mais importante e deve responder às seis perguntas: quem, onde, quando, o quê, como, por quê?) e corpo (o detalhamento da lead que pode ser escrito cronologicamente ou em ordem de importância. O título deve ser objetivo e chamar a atenção do leitor. A linguagem deve ser impessoal, clara, precisa, objetiva, direta e usar a norma padrão. Abaixo temos um exemplo de lide


Ministro estuda anistia a multas
O ministro José Carlos Dias (Justiça) defendeu ontem uma revisão geral do Código de Trânsito Brasileiro, que entrou em vigor há 19 meses. Ele não descartou uma anistia para os motoristas que estão com sua carteira suspensa por terem atingindo 20 pontos - o Governo já anunciou que enviará ao Congresso projeto que eleva essa margem para 30 pontos.
O ministro admitiu ainda a hipótese de reduzir o valor das multas previstas no código. Segundo Dias, o custo elevado das infrações serve como "incentivo para que o policial peça dinheiro para não multar".

José Roberto Dias, diretor do Denatran na época da implantação do código, disse que a proposta "demonstra falta de sensibilidade social". (pág. 1 e 3-1)

Relato pessoal também é uma narrativa em que alguém conta um episódio importante de sua vida. o leitor encontrará nesse gênero textual  personagens, enredos, tempo e lugar. As seis perguntas básicas deverão estar presentes: quem, onde, quando, o quê, como, por quê? O narrador,por ser um relato pessoal, geralmente será o protagonista. O relato deverá ser verídico, ou seja, verdadeiro. Verbos e pronomes em 1° pessoa e o tempo será provavelmente o pretérito. É um relato subjetivo, pois as reflexões são feitas conforme a visão do narrador. Poderá haver diálogos e descrição.

Criança não gosta de mudar de casa. Assim, com o meu coração apertado recebi a notícia de que íamos para Brasília. Eu nunca tinha ouvido falar nessa cidade, Brasília, jamais tinha escutado esse nome, e fiquei sabendo que a cidade ainda nem existia.

Entrevista é um texto do genero expositivo se for a entrevista de um especialista. Pode ser realizada pessoalmente ou à distância. O repórter deve possuir dados sobre o entrevistado e uma pauta sobre as perguntas que serão realizadas. As perguntas podem ser pré-acordadas entre as partes. Por convenção, o nome por extenso aparece somente nas primeiras falas e após, somente o primeiro nome ou abreviação


Entrevistador:  Muitos dizem que o gosto dos jovens pela leitura é um desafio.
Chartier: Certamente. Mas é papel da escola incentivar a relação dos alunos com um patrimônio cultural cujos textos servem de base para pensar a relação consigo mesmo, com os outros e o mundo. É preciso tirar proveito das novas possibilidades do mundo eletrônico e ao mesmo tempo entender a lógica de outro tipo de produção escrita que traz ao leitor instrumentos para pensar e viver melhor.


O escritor do texto descritivo diz como algo é. A classe gramatical mais usada é o adjetivo por sua função caracterizadora. Em relação aos tempos verbais, o presente será o mais usado, porque no texto não existirá a noção de anterioridade ou posteridade. Ainda sobre o verbo, ele será de ligação. A descrição pode variar conforme o ponto de vista do autor, logo os traços físicos de um ser, um objeto ou um lugar; os traços morais, emocionais, espirituais de um ser poderão variar conforme o autor se colocar diante do objeto. O texto descritivo poderá ser objetivo ou subjetivo. Uma descrição técnica ou científíca será objetiva, exata e dimensional, já uma descrição subjetiva irá privilegiar o estado de espírito, as preferências e juízos de valor do autor.

Farás uma arca de madeira de acácia com dois côvados e meio de comprimento, um côvado e meio de largura e um côvado e meio de altura.11 Tu a cobrirás de ouro por dentro e por fora, e farás sobre ela uma moldura de ouro ao redor.Fundirás para ela quatro argolas de ouro que porás nos quatro cantos da arca....” (Êxodo 21,10-12) Bíblia de Jerusalém

Um texto injuntivo explica como o leitor deve realizar algo. As bulas, as receitas e os manuais são textos característicos desse gênero textual. Linguisticamente, os verbos no imperativo serão sua principal características.

01 – Tenha em mente a estrutura textual
02 – Informe-se
03 – Elabore um título pertinente
04 – Posicione-se e não generalize a sua opinião
05 – Seja coerente
06 – Fique atento quanto à gramática
07 – Revise o seu texto

Quando o leitor quer se instruir ele provavelmente irá pesquisar um dicionário, um livro didático, um texto escrito por algum especialista de uma área do conhecimento. Todos esses textos podem ser classificados como textos do gênero expositivo que é aquele que ensina alguém sobre algo. A função do gênero expositivo é transmitir o conhecimento humano. Esse gênero é muito importante porque ele que irá dar suporte para as argumentações do texto dissertativo


O texto expositivo apresenta informações sobre um objeto ou fato específico, sua descrição e a enumeração de suas características. Esse deve permitir que o leitor identifique, claramente, o tema central do texto.

O texto dissertativo, por meio dos argumentos que o leitor buscou em algum texto pertencente no gênero expositivo, tentará convencer o leitor. O texto deverá ser objetivo e denotativo. Nesse gênero, o autor analisa e interpreta os fatos baseados em dados científicos ou lógicos que dará suporte para os argumentos.

Algumas nações estão admitindo o critério biopsicológico para os casos de crimes violentos praticados por jovens, abrangendo uma faixa etária intermediária, por exemplo, de 14 a 18 anos ou de 12 a 18 anos. Neste espectro se faz uma avaliação para saber se esse jovem pode ou não responder por sua conduta, desde que entenda o caráter criminoso do seu comportamento. Diante dessa tendência mundial, o sistema etário da legislação brasileira precisaria ser debatido ,com equilíbrio e cautela, assim como a possível adoção do critério biopsicológico.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Curso de Redação - Parte 6 - Dicas para escrever uma boa redação (Os elementos da redação II)

Fazer uma boa redação, como muitas outras coisas da vida, é treino e prática. A medida que escrevemos mais e mais textos, mais vamos desenvolvendo a habilidade de escrever uma boa redação. Iremos retomar algumas coisas ditas na postagem anterior, mas agora como dicas mais práticas.

Falemos um pouco sobre a comunicação e a expressão escrita. Um bom escritor não abre mão de realizar pesquisas a fim de criar argumentos sólidos. O leitor percebe quando uma redação foi desenvolvida a partir da leitura de bons textos ou quando a redação é baseada somente a partir dos achismos do escritor. Siga as  dicas abaixo para fazer uma boa redação.

1. Dê seriedade ao seu texto e demonstre autoridade naquilo que você escreve. Não use frases feitas ou próprias da comunicação coloquial; não faça piadas, não reproduza hinos de times ou receitas culinárias, não copie trechos dos textos motivadores etc.
2. Leia constantemente. Antes de você, outras pessoas já estudaram profundamente os mais diversos tipos de temas, eles são fontes de conhecimento.
3. Faça anotações de suas leituras, mesmo que sejam feitas nas bordas das páginas do seu livro, revista etc.
4. Determine a extensão de sua redação. Geralmente trinta linhas é um número aceitável.
5. Estude gramática. O Enem exige do aluno conhecimento da norma culta e dos mecanismos da língua. Uma frase ambígua como esta: "a professora pediu a aluna que guardasse seus livros" pode ser facilmente esclarecida se o aluno conhecer a gramatica da língua.
6. Dicionários são ótimas ferramentas a disposição do escritor. Existem vários tipos de dicionários dos mais básicos aos mais específicos. 
7. Faça interpretações literárias (contexto interno) e culturais (contexto externo) de suas leituras e de seus textos autorais.
8. Elabore uma tese e crie argumentos que a justifique.

O autor não irá realizar boas redações do dia para a noite, por isso é importante seguir essas dicas que irão preparar o estudante para o dia do exame. Errar durante a aprendizagem é normal e é preferível que isso aconteça durante os estudos do que no dia da prova.

O tema de uma redação não é definido pelo candidato, por esse motivo é importante que o autor esteja preparado lendo os mais diversos tipos de assuntos. O corretor percebe nas primeiras linhas da redação que o escritor não tem assunto para discorrer sobre o tema.

Já o candidato que tem muito assunto pra discutir sobre o tema, precisa definir prontamente qual será sua tese que nada mais é que uma declaração contendo uma proposta de discussão sobre o tema. É interessante o aluno escrever em uma folha a parte qual será sua tese a fim de que não se afaste dela. É muito comum encontrar redações em que o autor no meio do texto contrarie a própria tese que propôs defender. Por outro lado, é muito difícil encontrar uma redação com uma tese bem definida. Portanto, escreva sua tese em uma folha a parte.

Com a tese em mente, o candidato deverá elaborar sua introdução preparando o leitor para a tese na qual irá girar todo seu texto. É na introdução que ele definirá termos e conceitos.

Após a introdução,vem aquela que é a parte mais importante da redação: a argumentação que terá uma postagem totalmente dedicada a ela.

Finalmente temos a conclusão e, como alguns exames exigem, a proposta de intervenção. A conclusão é uma síntese de tudo que foi dito anteriormente. O autor irá resgatar coisas que foram expostas na introdução e na argumentação fechando seu texto. A proposta de intervenção é a sugestão dada pelo autor para que algum problema que incomoda a sociedade seja realizado. Uma proposta de intervenção deve envolver o cidadão como indivíduo, a sociedade como coletividade de vários indivíduos e o Estado, que tem como função organizar essa sociedade por meio das normas de convivência.

E finalmente o escritor deverá criar título que possa traduzir tudo aquilo que ele escreveu no texto a fim de atrair a atenção do leitor. Escrever o título após ter feito a redação é útil, porque o título na verdade é um resumo com poucas palavras de tudo que escrevemos. Bom lembrar que o título não deve ser confundido com o tema, por esse motivo o tema não pode ser o título e o título não é as primeiras palavras do primeiro parágrafo.

Até a próxima postagem. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Plural dos substantivos compostos em seis regras fáceis de entender

Aprender o plural dos substantivos compostos é fácil, desde que o aluno consiga distinguir as classes gramaticais e as palavras variáveis e invariáveis. Tendo isso em mente, passemos a explicação. 

(1) Substantivos, adjetivos e numerais são palavras variáveis. Os elementos que pertençam a uma dessas três classes gramaticais irão para o plural, independente da posição que ocupem na palavra composta:

cartão-postal = cartões-postais = um substantivo + um adjetivo
quarta-feira = quartas-feiras = um numeral + um substantivo
amor-perfeito = amores-perfeitos = um substantivo + um adjetivo
guarda-noturno = guardas-noturnos = um substantivo + um adjetivo

(2) Advébio, interjeição, preposição, e conjunção são invariáveis. O verbo, na formação dos compostos, também passa a ser considerados invariáveis. Qualquer elemento que pertença a uma dessas cinco classes gramaticais não varia no plural:

arranha-céu = arranha-céus = um verbo + um substantivo
abaixo-assinado = abaixo-assinados = um advérbio + um adjetivo
guarda-roupa = guarda-roupas = um verbo + um substantivo 

Obs: a palavra guarda, dependendo do composto, é considerado um substantivo ou um verbo. Muito fácil distinguir sua classificação gramatical: guarda é substantivo quando se refere a pessoa ou profissão, se preferir (guardas-ferroviários); mas guarda é verbo ao se referir a objetos (guarda-chuvas).

(3) Compostos formados por onomatopeia ou palavras repetidas somente último elemento vai para o plural:

o reco-reco = os reco-recos
o bem-te-vi = os bem-te-vis

(4) Quando o segundo elemento especifica (função de adjunto adnominal ou do adjetivo) a primeira palavra ou indica finalidade, somente o primeiro elemento sofre plural: 

navio-escola =  navios-escola
escola-modelo = escolas-modelos
homem-aranha = homens-aranha

Obs: Quando um composto é formado por dois substantivos, existe a opção de sofrer plural somente o primeiro elemento do composto. Se juntarmos essa regra com a regra que afirma que quando o segundo elemento esdpecifica ou indica a finalidade do primeiro, fica fácil formar os plural dos compostos do grupo 4.

(5) Sofre plural somente a primeira palavra do composto formado por elementos ligados por preposição:

pé de moleque = pés de moleque 
pingo-d'água = pingos-d'água 

(6) Se o composto for formada por palavras invariáveis (regra 2) ou com sentidos opostos, nenhum elemento sofre plural. 

o leva e traz = os leva e traz
o bota-fora = os bota-fora

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A voz passiva

As vozes verbais é um dos temas mais interessantes da língua portuguesa e conhecê-las é ter a disposição excelentes efeitos em nossos textos. 


Em uma voz passiva destacamos a ação recebida e, principalmente, o agente que a realizou, mais do que o sujeito que a recebeu. Estruturalmente, a voz passiva é composta por um sujeito passivo, um verbo conjugado e um particípio e, por fim, o agente da passiva:


Acima temos um caso de voz ativa. Interessa-nos principalmente o verbo transitivo direto. Passemos agora essa frase para a voz ativa:

A forma verbal ativa, com o verbo ser conjugado e o particípio, passa para a voz ativa. Vejamos outro exemplo:
Temos uma frase simples com verbo transitivo indireto. Será possível passar essa estrutura para a voz passíva?



Um exemplo de uma suposta voz passiva com verbo intransitivo. Você consideraria essa estrutura típica da língua portuguesa. Em outras palavras, você diria ou escreveria uma frase como essa? Creio que não. Portanto, somente conseguimos criar uma voz passiva com um verbo transitivo direto.   

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Curso de Redação - Parte 3 - A redação e a comunicação

A comunicação interpessoal procura transmitir ideias, sentimentos e propósitos. A redação, uma modalidade escrita da comunicação, procura sensibilizar as pessoas a adotarem nosso ponto de vista e realizar aquilo que desejamos.

Sabemos que existem três elementos básicos para que uma comunicação seja criada: o emissor, a mensagem e o receptor. No entanto, esses três elementos não garantem que o mensagem seja compreendida pelo receptor. A incompreensão da mensagem pode ocorrer devido o desnível cultural, não só do receptor, mas também do emissor (provavelmente o desnível cultural do emissor ocorra por falta de conhecimento do tema ou desconhecimento grave da modalidade escrita da língua). Outro tipo de ruído é a especificidade do assunto (ou desconhecimento do tema, novamente). 

Percebe-se que o conhecimento do tema é essencial para escrever uma boa redação, por isso é importante o aluno sempre estar "por dentro" dos últimos acontecimentos, afinal o candidato só saberá o tema sobre o que irá dissertar no momento da prova. 

O leitor é um interlocutor ausente, portanto, o escritor deve adequar o texto ao leitor, antecipando possíveis dúvidas. Por exemplo, o escritor deve definir conceitos e ideias, principalmente quando o escritor remete seu texto para as áreas do conhecimento científico. O leitor não é obrigado a saber tudo, mas é obrigação do escritor esclarecer as aquilo que consta em seu texto.

Gostaria de ter sua redação corrigida? Mande seus textos para o email: cleirebech@gmail.com. A partir de R$ 15,00 você terá 4 redações corrigidas e anotadas. Você poderá escolher seu tema.  

domingo, 27 de novembro de 2016

Curso de redação - parte 2 - Características de uma boa redação

Como dissemos anteriormente, uma redação deve discutir algum problema que aflige a sociedade e propor-lhe uma solução. Deve também levar o leitor a aceitar o ponto de vista de quem a escreve. Mas para fazer essas duas coisas, uma boa redação deve possuir algumas qualidades.

Existem quatro maneiras de levar alguém a agir conforme os nossos desejos, o primeiro é pela força física, o segundo pelo exemplo, a terceira pelos costumes e pelas leis e a quarta pelos argumentos. É justamente esse último que nos interessa.

A força desses argumentos deve estar revestida de alguns pré-requisitos. O primeiro deles é o assunto. Conhecer muito bem o assunto é essencial. A força de um especialista está justamente no conhecimento de um assunto ou tema. Por esse motivo se recomenda que o aluno esteja sempre a par das coisas que acontecem em sua volta. Saber sobre o que se escreve é muito importante. O aluno deve sempre escrever sobre diversos assuntos e, de tempos em tempos, retomar os velhos escritos a fim de verificar se houve ou não alguma evolução em seus escritos.

Saber usar as palavras adequadas também é essencial. As palavras possuem, geralmente, duas faces: uma própria, que chamamos de denotativa, e outra figurada, conotativa. Embora a palavra, quando usada denotativamente, nem sempre ela consegue abarcar suficientemente o sentido real em um contexto específico. Por esse motivo, o uso frequente de um dicionário, principalmente de sinônimos, é tão importante quando se escreve um texto, pois ele permite que os sentidos das palavras  sejam devidamente identificados.

A disposição das palavras dentro das frases também é muito importante. Geralmente colocamos nos primeiros e últimos lugares das orações aqueles conceitos e ideias que consideramos mais importantes. O uso de pronomes, dos relativos e das preposições também deve ser levado em conta para não causar dúvidas nos leitores. Por isso o estudo da gramática é tão importante.

Um texto escrito também deve se adequar a função ao qual se propõe. Assim uma redação deve obedecer a norma culta da língua portuguesa escrita, de modo que certas expressões devem ser evitadas: a gíria, a frases feitas, a linguagem próprias das redes sociais e expressões características da oralidade etc.

Vimos até aqui as características de uma boa redação. Esperamos que essas informações tenham sido uteis ao nosso leitor. Elogios, críticas construtivas, esclarecimentos e dúvidas são bem vindas. 

Curso Prático de Latim - Parte 1


Poetae linguam Graeciae amant.

Poetae - sujeito (nominativo)
linguam - objeto direto (acusativo)
Graeciae - adjunto adnominal (dativo)
amant - 3.a pessoa plural do presente do indicativo 

Colocado em ordem direta, temos: Poetae amant linguam Graeciae, ou seja, "os poetas amam a língua da Grécia. 

A partir das informações acima, já podemos fazer algumas traduções (atende-se para a terminação final de cada palavra, observe que elas se repetem)

1. Coronae reginas ornant. 
Corona - coroa
reginas (acusativo plural) - rainha
orno (-re) - enfeitar, ornar.

2. Laetitiam nautis das.
Laetitia - alegria
nautis (objeto indireto - dativo) - nauta - marinheiro
das (do, dare - dar) - 2a. pessoa singular presente do indicativo

3.Gloriam patriae do.

4. Agricolas laudamus.
laudamus (laudo, are) - louvar

5. Incolas silvarum laudatis
Incola - habitante
silvarum (dativo plural)
laudatis - 2a. pessoa plural do presente do indicativo

6. Victoriam nuntiamus.
nuntio, are - anunciar, comunicar.

7. Aqua insulas circundat.
insula - ilha
circundat - 3a. pessoa singular do presente do indicativo

8. Nautarum vigilantia patriam servant.
servo, are - preservar, proteger, guardar

9. Luna umbram fugat e terram illustrat
umbra - sombra
illustro - ilumina
fugo, as, are, avi, atum - afugentar, por em fuga.

RESPOSTAS.

1. As coroas enfeitam as rainhas
2. Doas alegrias aos marinheiros
3. Proporciono gloria a pátria.
4. Louvamos os agricultores
5. Louvais os habitantes das florestas
6. Anunciamos a vitória.
7. A vigilância dos marinheiros preserva a pátria.
8. A lua afugenta a sombra e ilumina a terra.




sábado, 26 de novembro de 2016

Curso de redação - parte 1

A redação é, entre as diversas atividades desenvolvidas nas  escolas, uma das mais espinhosas, não só porque é  odiada e temida pelos alunos, mas também uma carta na manga de muitos profissionais: não tendo conteúdo para oferecer, nada melhor do que solicitar uma redação aos alunos.

A palavra é o melhor meio de comunicação criada pelo ser humano. É ela que nos distingue dos outros reinos animais. No princípio, o ser humano se comunicava por meio de sinais corporais (gestos), depois vieram os sons na comunicação humana (a fala) e finalmente a escrita consolidou por vez a comunicação entre as pessoas.

Podemos dizer que a comunicação é um fenômeno biológico, psiquico e social. Biológico porque necessitamos de um cérebro desenvolvido para a comunicação; psíquico, porque a comunicação evoca coisas concretas e abstratas; e finalmente social, porque reconhecemos indivíduos semelhantes a nós mesmos e necessitamos comunicar-lhes algo que nos é valioso.

A escrita é tão importante que até hoje consideramos as sociedades letradas mais desenvolvidas que sociedades ágrafas. E ainda hoje, podemos dividir a sociedade entre aqueles que conseguem se comunicar pela escrita e aqueles que não conseguem. 

Afinal, para que serve a redação? Em uma sociedade, conflitos surgem e a palavra escrita veio para estabelecer firmemente quais atitudes se esperam de seus membros. Mas isso não quer dizer que as coisas não devam ser debatidas. É justamente aí que se percebe a principal utilidade da redação: é a oportunidade que o aluno tem de expressar sua opinião frente a um dado problema. Além disso, é uma preparação que o aluno faz para que possa expressar seu ponto de vista em um ambiente não tão amistoso como a sala de aula.

Assim a função social da redação é debater de modo estruturado os problemas que afligem a sociedade propondo-lhes sempre que possível uma solução. Pedagogicamente, podemos dividir   a redação, a princípio, em uma introdução, uma narração, argumentos e conclusão.

Terminamos por aqui nossa primeira parte.



Dia Nacional do Futebol - Eduardo gaudêncio

  Dia Nacional do Futebol  Eduardo gaudêncio O Futebol é antes de tudo uma metáfora.  Quando Nelson Rodrigues disse que o Brasil era a Pátri...